quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O “Ano Zero” de Mozart



Na noite gelada do dia 30 de dezembro de 1775, em Munich, Mozart escreve uma carta à sua irmã Nannerl (Maria Anna Ignatia):

Minha querida Nannerl! Ficarei feliz e aliviado quando os sinos da igreja tocarem anunciando o Ano Novo. Este ano de 1775 foi um ano zero!”

Mozart esperava ser nomeado para um cargo fixo, coisa que traria uma remuneração razoável e constante, mas não conseguiu nada. Depois, o arcebispo para o qual trabalhava resolveu fechar o teatro onde Mozart apresentava suas obras.

Com todos esses contratempos, restava a Mozart dar muitas aulas, que remuneravam bem e constituíam seu principal meio de sobrevivência. Seu pai, Leopold, porém, proibia rigorosamente essa atitude, por se tratar de uma atividade menor.

No entanto...

Na noite de Natal, contei as peças que compus este ano: foram mais de cem – serenatas, concertos para violino, concertos para piano e, naturalmente, os études para minhas alunas.”

Eram tempos duros, vividos em cidades insalubres, de existência permeada por doenças que matavam os habitantes como se fossem mosquitos.

Somente Mozart seria capaz de transformar um “ano zero” numa colheita de tão abundante safra.

(Referências extraídas do Livro “Mozart, sua vida em cartas”. Compilação e adaptação de Gloria Kaiser – Reler Editora – Rio de Janeiro 2006 (www.relereditora.com.br)