sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Rabindranath Tagore - O poeta esquecido



Rabindranath Tagore – Antologia – MEC – Serviço de Documentação 1961.

“EDIÇÃO DO SERVIÇO DE DOCUMENTAÇÃO DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA EM COMEMORAÇÃO AO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE RABINDRANATH TAGORE. RIO DE JANEIRO – BRASIL – 1961”

Neste ano de 2011 comemora-se 150 anos de nascimento do poeta, dramaturgo, escritor, pintor e músico Rabidranath Tagore (1861) e a memória dos 70 anos de sua morte (1941). Esses eventos, até a presente data, passam-se em silêncio e é provável que só sejam lembrados por aqueles que mantiveram vivo o nome de Tagore, seja nas associações e clubes culturais ou com as publicações particulares, de caráter e circulação restritos apenas aos iniciados. Tudo bem diferente das comemorações pelo centenário de seu nascimento, quando, em todos os continentes se promoveu algum tipo de homenagem a Tagore. Em 1961 foi publicada, de modo oficial, uma ampla seleção de sua obra, que incluía textos e excertos em prosa, teatro e verso (Colheita de frutos, O jardineiro, Pássaros perdidos, A lua crescente, 7 poemas de “Puravi”, Minha bela vizinha, Conto, Mashi, O carteiro do Rei e A fugitiva), dos quais apresentamos uma antologia.

A tradução e adaptação ficou a cargo dos poetas Abgar Renault, Cecília Meireles e Guilherme de Almeida. Nem precisa dizer que estávamos num tempo em que escritores traduziam escritores. Não havia o tradutor profissional, nem tampouco se imaginava que os robôs da tradumática viriam a substituí-los de maneira tão dramática e que, até, fizessem versões de melhor qualidade, o que muito tradutorzinho saído da universidade com diploma debaixo do sovaco não consegue.

No texto introdutório, não assinado, se lê:

“Este volume, com que o Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura se associa às homenagens universais prestadas a Rabindranath Tagore, por ocasião do Centenário de seu nascimento, compõe-se de traduções de algumas de suas obras feitas por três poetas brasileiros: Abgar Renault, Cecília Meireles e Guilherme de Almeida. Não são as únicas traduções realizadas por esses três autores. E nem são eles os únicos tradutores brasileiros de Rabindranath Tagore.

“As páginas aqui apresentadas pretendem dar apenas uma idéia da versatilidade de Rabindranath Tagore em diferentes gêneros, idéia reduzida (à maior modéstia), quando se consideram a prodigiosa fecundidade literária do grande poeta hindu e, por igual, a multiplicidade dos sentidos da sua obra, que nos depara um pensamento religioso, dominado pelas meditações sobre a natureza essencial de Deus e a sua presença em todos os aspectos da vida; um pensamento ético, que flui, tal água da fonte, do pensamento religioso, é dele prolongamento ou resultante e se espraia e alcança até as mínimas coisas do cada dia de cada homem, desdobrada em regras de procedimento moral expostas em alegorias e símbolos de beleza profunda, que oscila entre o obscuro e o fulgurante; o pensamento idílico, que, às vezes, se confunde de maneira singular, com o pensamento religioso, se transforma, com freqüência, numa densa expressão sincrética do próprio mistério da vida, e, quando a quando, assume surpreendentemente a claridade e a graça mediterrâneas que caracterizam os poetas líricos do Ocidente; e um pensamento educacional, que não se exprimiu em fórmulas técnicas nem na ação do educador apenas, mas encontra forma poética no maravilhoso livro intitulado A lua crescente – obra educacional no sentido mais fundo e mais alto que essa palavra alcança.

“Esses quatro sentidos da obra de Tagore fundem-se, ao cabo, numa só expressão filosófica, que destila uma força, um sumo de doçura, uma sensibilidade, uma graça consoladora, uma exaltação de Deus, da natureza e da vida, um perdão total, uma ternura para com os seres humildes e as coisas pequeninas deste mundo – sabedoria humana de que não temos notícia em outro poeta.

“Mas este livro é, acima de tudo, uma presença ocidental nas comemorações do Centenário de Rabindranath Tagore, que tanto desejou uma união afetuosa e compreensiva dos dois hemisférios e o seu intercâmbio espiritual, para a dignificação e felicidade da criatura humana.

“Sua obra vastíssima, em prosa e verso, compreende poesia, teatro, romance, conto e ensaio. Deixou centenas de canções com música de sua autoria. Em pintura, é considerado, na Índia, um dos grandes renovadores. Como educador, foi também um pioneiro, em seu país, tanto no espírito como nos métodos de educação.”

Também não precisava registrar (mas o faço) que houve um tempo em nosso país que no Governo Federal havia um Ministério da Educação e Cultura, que – pasmem – promovia a educação e a cultura! Hoje temos dois ministérios, um só para Educação, outro só para a Cultura, que não promovem absolutamente nada e, quando tentam fazer alguma coisa, sempre tudo dá errado, sempre tudo é maculado pelo vírus da corrupção. A cultura e a educação se privatizaram, se transformaram em comércio, capitalizaram-se – de tal maneira que tudo só se promove visando o lucro, mesmo que não seja o ganho financeiro, mas qualquer lucro, o lucro do poder, o lucro da influência, o lucro da promoção pessoal, inclusive – e mais freqüente – o lucro eleitoreiro...

Rabindranath Tagore obteve reconhecimento universal, porque as suas obras trataram de libertar a Índia das tradições literárias regionais, tornando-se uma cultura não mais apenas exótica, dos sultões e palácios, dos faquires e brâmanes. Ao igualar a cultura de sua terra aos traços aceitáveis no Ocidente, Tagore incorporou não somente todo o acervo histórico e cultural, milenares, mas também conduziu à modernidade a linguagem culta e os costumes populares de seu povo.



De: “Colheita de frutos”

ORDENA-ME e colherei meus frutos e os trarei em cestos transbordantes para o teu pátio, embora alguns estejam perdidos e outros ainda verdes.
Porque a estação se torna pesada na sua plenitude e há na sombra o som queixoso da flauta de um pastor.
Ordena-me e far-me-ei à vela no rio.
O vento de março está agitado, levantando as lânguidas ondas em murmúrio.
O jardim deu tudo o que era seu e na cansada hora da tarde, da tua casa na praia, ao crepúsculo, vem o teu apelo...

MINHA vida, quando jovem, era qual uma flor – que solta uma pétala ou duas da sua riqueza e nunca lhes sente a falta, quando a brisa primaveril vem mendigar à sua porta.
Agora, no fim da mocidade, minha vida é como um fruto, que nada tem em excesso e espera para oferecer-se inteiramente, com a carga de toda a sua doçura.

ACORDEI pela manhã e encontrei sua carta.
Não sei o que ela diz, porque não sei ler.
Deixarei o sábio entregue a seus livros, não o perturbarei, pois ninguém tem certeza de que ele sabe ler o que a carta diz.
Deixa-me encostá-la na fronte e apertá-la de encontro ao coração.
Quando a noite emudecer e as estrelas surgirem uma a uma, abri-la-ei em meu regaço e ficarei silencioso.
As folhas sussurrantes a lerão alto para mim, o riacho murmurante a modulará e do céu as sete estrelas sábias a cantarão para mim.
Não posso achar o que procuro, não posso entender o que desejara aprender.
Mas esta carta, que não li, aliviou minha carga e transformou meus pensamentos em canções.

A DOR foi grande quando as cordas estavam sendo afinadas, Senhor!
Começa a tua música e deixa-me esquecer a dor e sentir em beleza o que tinhas na mente através desses dias despiedosos.
A noite que vai morrendo demora-se à minha porta.
Deixa-a despedir-se em canções.
Em melodias que desçam das tuas estrelas, Senhor, derrama teu coração nas cordas da minha vida.


De: “O jardineiro”

POR sobre os arrozais
verde-amarelos, rápidas
lá vão passando as sombras
das nuvens outonais,
perseguidas do sol
– célere caçador.
As abelhas se esquecem
de sugar o mel
e, embriagadas de luz,
doidas, rondam e zumbem.
Sobre as ilhas do rio,
à toa, sem motivo,
grasnam patos contentes.
Ninguém vá para casa,
Irmãos, esta manhã
ninguém vá trabalhar.
Vamos tomar de assalto
o céu azul: saqueemos
a amplidão a correr!
Flutua o riso no ar
como a espuma no mar.
Dissipemos, Irmãos,
esta nossa manhã
em inúteis canções.

NÃO guardes, ó minha amiga, para ti somente
esse segredo do teu coração...
dize-o baixinho a mim, a mim unicamente,
tu, que segredas tão suave e docemente...
os meus ouvidos não o escutarão:
há de escutá-lo, sim, meu coração...

A noite está profunda. A casa está silente.
Os ninhos com seus pássaros estão
de sono amortalhados.
Conta-me em lágrimas de hesitação,
através de sorrisos perturbados,
leve rubor, leve aflição,
esse segredo do teu coração...

COMO ave do deserto, achou meu coração
o seu céu nos teus olhos... Eles são
o berço da manhã e o reino das estrelas.
Minhas canções se perderam na sua profundidade.
Consente apenas que eu me eleve nesse céu,
na sua solitária imensidade...
Deixa-me só fender-lhe as nuvens e espantar
minhas asas no seu fulgor solar...


De: “Pássaros perdidos”

Se à noite choras pelo sol, não verás as estrelas.

Em teu caminho, água que danças, a areia mendiga a tua canção e a tua fuga. Não quererás levar contigo essa leviana?

O seu rosto anelante persegue os meus sonhos como a chuva durante a noite...

Sonhamos uma vez que não nos conhecíamos e des­pertamos para ver se era verdade que nos amávamos.

Não deixes o teu amor sobre o precipício. . .

Nesta manhã, sento-me à varanda para contemplar mundo. E o mundo, viageiro, detém-se um instante, saúda-me e parte.

Não sou eu quem escolhe o melhor: o melhor é que escolhe a mim.

Aquele que carrega a sua lâmpada costas, não lança adiante senão a sua sombra.

Meu coração se entristece em silêncio, não sei dizer por quê... São coisas pequeninas que ele nunca pede, nem, entende, nem recorda... .

Quando caminhas de um lado para outro, mulher, nas lidas caseiras, o teu corpo canta feito uma fonte serrana entre as pedras.

Que derradeiro adeus deixa no oriente o sol, ao ir-se afundando no mar, ao crepúsculo!

O peixe é mudo na água; o animal, ruidoso na terra; o pássaro, canoro nos ares. Mas o homem tem em si a música dos ares, o tumulto da terra e o silêncio do mar.

Ao precipitar-se através das cordas do nosso coração preso às coisas, o mundo chora a música da tristeza.

Como as gaivotas e as ondas, nós nos encontramos e nos unimos. Vão-se as gaivotas, voando, as ondas vão-se, a rolar, e nós também nos vamos. . .

Acabou-se o meu dia. Sou como um barco na praia ouvindo, no meu anoitecer, a dança da maré.

Por amor ao imperfeito o perfeito se adorna de formosura.

Deus cansa-se dos reinos, mas não das florezinhas...

O bem pode resistir às derrotas, o mal não.

Modula a cascata: "Embora um pouco da minha água baste ao que tem sede, com que alegria a entrego toda a ele!".

Como sente o meu coração solitário o suspiro deste viúvo anoitecer de névoa e chuva!

A névoa, roçando o coração dos montes; arranca-lhes, tal se fora o amor, surpresas de formosura.

Lemos mal o mundo, e logo dizemos que o mundo nos engana.

Se cerrares a porta a todos os erros, impedirás a verdade de entrar.

Atrás da tristeza do meu coração há suspiros e rumores, mas eu não posso compreendê-los!

Chuvoso anoitecer, como o teu vento inquieto, agitando os ramos, me faz meditar na grandeza de todas as coisas!

Quando eu ia e vinha, sem ir-me, que cansaço davas, ó caminho! Mas, agora que me levas a todos os lugares, somos como dois namorados.

Deixa-me crer que uma destas estréias guia a minha vida pelo obscuro mistério!

Mulher, quando tocaste a minha vida com a graça dos teus dedos, a ordem surgiu em mim, tal a música.

Tristonha voz, que tem o seu ninho nas ruínas dos anos, canta-me pela noite: "Eu te amei... "

Como entra pelas fendas da vida esburacada a música triste da morte!


De: “A lua crescente”

NA PRAIA

As crianças se encontram nas praias dos mundos sem fim.

O céu infinito está imóvel lá em cima e a água inquieta está revolta. Na praia dos mundos sem fim as crianças se encontram entre gritos e danças.

Constroem as suas casas de areia e brincam com suas conchas vazias. Tecem de folhas secas os seus botes e, sorrindo, os largam a flutuar no vasto mar. As crianças se  divertem na praia dos mundos.

Não sabem nadar, não sabem lançar redes. Os pescadores de pérolas mergulham em busca de pérolas, os mercadores navegam em seus navios, enquanto as crianças ajuntam seixos e os espalham de novo. Não procuram tesouros escondidos, nem sabem lançar redes.

O mar encapela-se entre risos, e, pálido, fulgura o sorriso da praia do mar... As ondas que trazem a morte cantam para as crianças baladas sem sentido, tal a mãe que embala o berço de seu filho. O mar brinca com as crianças, e, pálido, fulgura o sorriso da praia do
mar...

As crianças se encontram na praia dos mundos sem fim. A tempestade vagueia pelo céu sem caminhos; soçobram navios nos ínvios mares; a morte anda às soltas, e as crianças brincam. Na praia dos mundos sem fim é que se dá o grande encontro das crianças.

A FIGUEIRA

Ó figueira de fronde áspera da margem do lago; já esqueceste a criancinha, como os pássaros que fizeram ninho nos teus ramos e te abandonaram?

Não te lembras como sentava à janela e ficava admirada das tuas raízes emaranhadas, que mergulhavam debaixo da terra?

As mulheres costumavam vir encher os seus jarros na lagoa e a tua enorme sombra negra movia-se na água como o sono que luta por acordar.

A luz do sol dançava nas ondulações da água como pequenas lançadeiras inquietas tecendo uma tapeçaria de ouro.

Dois patos nadavam sobre suas próprias sombras junto à margem coberta de ervas daninhas, e a criança ficava sentada, silenciosa e pensativa.

Ela queria ser o vento e assoprar entre os ramos sussurrantes; ser a tua sombra e alongar-se com a luz do dia sobre a água; ser um pássaro. e pousar no teu ramo mais tenro e mais alto, e flutuar como aqueles patos entre as ervas daninhas e as sombras.

A DÁDIVA

DESEJO dar-te alguma coisa, meu filho, porque vamos arrastados na torrente do mundo.
As nossas vidas serão levadas para lugares diversos, e o nosso amor será esquecido.
Mas não sou tão tola que espere poder comprar o teu coração com as minhas dádivas.
A tua vida é jovem, longo o teu caminho, e bebes de um trago o amor que te trazemos, e viras-te, e foges de nós.
Tens os teus brinquedos e tens companheiros com quem brincar.
Que mal há em que não tenhas tempo nem qualquer pensamento para nós?
Na verdade, temos na velhice lazer de sobra para contar os dias que se foram e acariciar no coração o que nossas mãos perderam para sempre.
O rio corre veloz a cantar, rompendo todas as barreiras. A montanha, porém, fica e recorda, e acompanha-o com o seu amor...

A MINHA CANÇÃO

ESTA minha canção enleará sua música em torno de ti, meu filhinho, como os braços apaixonados do amor.
Esta minha canção tocar-te-á a fronte como um beijo de bênção.
Quando estiveres sozinho, ela se assentará ao teu lado e segredará ao teu ouvido; quando estiveres no meio da multidão, criará uma barreira de distância em torno de ti.
A minha canção será como um par de asas para os teus sonhos.
Transportará teu coração às bordas do desconhecido.
Será como a estrela fiel lá em cima, quando a noite escura tombar sobre a tua estrada.
A minha canção pousará nas pupilas de teus olhos e levará a tua vista até o coração das coisas.
E quando a minha voz emudecer na morte, a minha canção falará no teu coração vivo.

(Tradução: Abgar Renault)


De: “Puravi”

ÚLTIMA PRIMAVERA

ANTES que o dia termine,
consente-me este desejo:
vamos colher
flores da primavera
pela última vez.
Das muitas primaveras
que ainda visitarão
tua morada,
concede-me uma,
– implorei.

Todo este tempo,
não prestei atenção
às horas,
perdidas e gastas à toa.

Num lampejo
de um crepúsculo,
li nos teus olhos agora
que meu tempo está próximo
e devo partir.

Assim, ávido, ansioso,
conto um por um
– como o avarento o seu ouro –
os últimos, poucos dias de primavera
que ainda me restam.

Não tenhas medo
Não me demorarei muito
no teu jardim florido,
quando tiver de partir,
no fim do dia.

Não procurarei lágrimas
nos teus olhos
para banhar minhas lembranças
no orvalho da piedade.

Ah, escuta-me,
não te vás.
O sol ainda não se esconde.
Podemos permitir que o tempo
se prolongue.
Não tenhas medo.

Deixa que o sol da tarde
olhe por entre a folhagem
e se detenha um momento
brilhando no negro rio
do teu cabelo.

Faze o tímido esquilo,
perto do lago,
fugir de repente
ao estrépito de teu riso
que irrompe
com descuidosa alegria.

Não procurarei
retardar teus rápidos passos,
sussurrando esquecidas lembranças
aos teus ouvidos.

Segue teu caminho depois,
se teu dever é seguir, se tens de seguir
calcando folhas caídas
com teu andar apressado,
enquanto as aves que voltam
povoam o fim do dia
com o clamor dê seus gritos.

Na escuridão crescente,
tua distante figura
irá fugindo e apagando-se
como as últimas frágeis notas
do cântico da tarde.

Na noite escura,
senta-te à tua janela,
que eu passarei pela estrada,
seguindo o meu trajeto,
deixando tudo para trás.

Se te aprouver,
atira-me
as flores que te dei
pela manhã,
murchas agora ao fim do dia.

Isso vai ser
o último e supremo presente:
tua homenagem
de despedida.

TROCA

ELA me trouxe flores de alegria
eu tinha comigo
os frutos da minha tristeza.

Quem sairá perdendo,
perguntei-lhe,
se trocarmos?

Encantada e risonha,
ela disse:
"Então troquemos:
minha grinalda é tua
e aceitarei
teus frutos de sofrimento".

Olhei para o seu rosto
vi que era de uma beleza
implacável.

Bateu palmas, alegre,
e apanhou
minha cesta de frutos
enquanto eu suspendia sobre o coração
sua grinalda de flores.

Ganhei,
disse ela sorrindo
e retirando-se
logo.

O sol subiu
para o alto do céu
e fazia muito calor.

No fim do dia
sufocante
todas as flores murcharam
e perderam as pétalas.

(Tradução: Cecília Meireles)