sábado, 19 de outubro de 2013

Franco Rovedo lança em Curitiba o romance “A Flor da Pele”

Saindo do forno – Paranaense de Curitiba, Franco Giuseppe Rovedo é um apaixonado por literatura. Escritor, cronista e professor, Rovedo usa o texto para se comunicar. E tem feito isso com competência nas redes sociais. A intimidade com esportes e atividades radicais lhe rendeu histórias que agora começam a ganhar vida por meio das letras. O tempo em que morou na Ilha do Mel criou o cenário ideal para os romances que lá aconteceram e agora passam a ganhar as páginas da literatura. A inspiração é a ilha, mas os casos que servem de inspiração podem ter acontecido em qualquer lugar do planeta. 
A preocupação em ser realista, sem ser grosseiro, foi o desafio maior para uma história de amor como a que recheia “A Flor da Pele”. Todas as situações, com suas nuances e segredos, tinham de ser descritas, mas era preciso transmitir o romantismo de cada uma delas, por mais ousadas que fossem. O resultado é uma história de amor maduro, pleno, e possível de acontecer com qualquer leitor. Basta estar apaixonado como o Giulio e a Karin, os personagens, estavam.
O romance
Giulio Dougan é escritor e trabalha em uma casa de praia. Através de uma rede social encontrou uma amiga de escola que há muito não via. Médica, Karin passava por momentos de decisão em sua vida amorosa. Enquanto isso, a amizade virtual com Giulio crescia, até surgiu a oportunidade de um encontro fora da virtualidade cibernética. A estadia, que parecia ser perfeita para um caso de fim de semana, transformou-se em algo muito maior. Entre um desencontro e outro, Giulio lançava seu livro em uma festa no hotel da cidade. Seu passado romântico e perigoso atormentava a médica, o que tornava a realização daquele sonho algo inesperado e complicado. A história se passa na primeira pessoa de Giulio e também na de Karin, que preenchia constantemente o seu diário. O mesmo fato narrado pelo ponto de vista de um homem e de uma mulher demonstra a importância da boa comunicação e conquista ou não da felicidade de um casal. Pequenos detalhes que fizeram a diferença. 

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(Fonte: http://ucho.info)

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Deu no Facebook (15/09/2013 a 15/10/2013)

O boi do Calian 
Deixar pra amanhã não é boa ideia. Foi assim que perdi o mano mais velho, Antonio, de Mato Grosso do Sul. Ele postou uma mensagem: “Quando vens ver o teu irmão? Amanhã?” Foi mal, foi chato. Tivesse eu ido e ele não faria a inevitável viagem sem combinar. Hoje recebi a visita do mano Roberto (vide fotos), de Cuiabá. Faz anos que ele vinha deixando pra nos visitar amanhã... Trouxe pequi, mel de abelha, um abraço de irmão – que foi o mais gostoso. Queria que ficasse uma semana, mas passou só alguns minutos! Por isso não deixei cantar as músicas que compõe... E porque desafina pra caralho! Boa viagem, manos! (15/09/2013)

Calian esqueceu de fazer o trabalho escolar. Um bicho feito com material reciclável. Correria geral pra consertar o esquecimento. Caixinhas de leite ao avesso, formas improvisadas, a cola acabou – vai grampo mesmo. Enfim, saiu u boi do Calian, conforme as fotos atestam. Eis o boi do Calian em carne e osso – quer dizer, em caixa de leite e grampo! (21/09/2013)

Eu tô pensando: - Adianta a gente reclamar, reclamar, reclamar das mazelas do Brasil... Pra quê? A gente faz protesto aqui e quem lê é o Barack Obama! Coitado! Ele já tá cheio de pobrema e vai ainda aturar os nossos? Ixe! Ele deve estar com a língua cansada de repetir: brazilian fuck-se, fuck-se, fuck-se! Desculpe-me facenauta, quando não respondo a uma chamada. É que enquanto faço outras coisas - escrever, por exemplo -, o face continua rolando, rolando, rolando, rolando, rolando... Xau! (24/09/2013)

A frase chave do Facebook é – O que VOCÊ está pensando? Mas não é isso o que ocorre. Entulham este espaço com frases dos outros, fotos dos outros, vídeos dos outros. Sei que os grandes homens disseram grandes coisas, mas, você que aqui é meu amigo, também é uma grande pessoa. Sei que você pensa com SUA própria cabeça! Tem SUAS próprias ideias, SUA própria arte. Não pratique auto censura, não se envergonhe de pensar o que pensa, seja LIVRE no dizer e no mostrar o que faz, com total LIBERDADE. E me mande, público ou particular, vou me ORGULHAR de ler o que você escreve, saber como e o quê você pensa! Será a felicidade suprema cada vez que ler um texto, ver uma foto, um vídeo sabendo que foi FEITO POR VOCÊ e está compartilhando comigo! (29/09/2013)

Afinal, pensando bem, ainda não tenho a mochila pronta para a grande viagem. Posto que até para a morte há preparação, vou pendurar um bilhete no Facebook:
AVISO: DONA MORTE, PASSE AMANHÃ
Depois vou sair de fininho, de esgueira, invisível – como quem não quer nada – debaixo do chuvisco intermitente vou pelas margens do sujo Rio Pimenta, cenário de mergulhos da infância ontem, vou andando até a praia do Olho D’água, ali descalço nas areias ásperas te encontro, te namoro, íntimo como ondas miúdas, bunda, seios, dunas: é teu corpo negro que amarei dizimado à beira da arrebentação, lençol de espumas sobre corpos exaustos, mas recomeçaremos, de novo, de novo, de novo... (01/10/2013)

Vejam só: os tupis consideram que os sentimentos – o amor, o ódio, a bondade, a maldade, a fé, a crença, a desilusão, etc. – residem não no coração, mas no fígado – Pia. É no fígado que está a saudade, tristeza, alegria, todas as emoções. Exemplos: Pia-rupi: de boa vontade, com todo o fígado; Pia-hi: dor no fígado, tristeza, desgraça; Pia-munjita: sentimental, com fé; Pia-katu: fígado bom, alegre,feliz. Também usamos expressões com o fígado: Ruim do fígado: mau humor, irritação; Comer o fígado: urubus comeram o fígado de Prometeu – castigo pior que a morte; Ficamos irritáveis, implicantes, impacientes e enredamo-nos em brigas por tudo e por nada: fica-se com “maus fígados”, surgem todas as dores; Desopilar o fígado: alegrar-se, estar feliz; a frase retrata a ideia de que rindo se desobstrui o fígado, livrando-o da de bile, causa do mau humor. Outros creem que é no fígado que a nossa alma mora, que o fígado controla o sistema nervoso e influencia o pensamento. Fígado ou coração? Onde está nossa alma? Onde estão nossas emoções? (07/10/2013)

Olha só o que está circulando: “Sugestão interessante. Devido à lerdeza do judiciário, por falta de meritíssimos, a presidenta poderia criar o programa Mais Juízes! Contratar juízes estrangeiros, dispensados do exame da OAB, sabatinas e demais exames. E então distribuí-los em todas as varas para julgar os gastos da Copa, das Olimpíadas, os mensalões, o dinheiro na cueca, os altos salários dos 3 poderes, o desvio de verbas e demais desvios, inclusive do Rio São Francisco, a corrupção das licitações – toda a ladroagem, enfim, da qual o Executivo e o Legislativo nunca sabem nada. Seria ótimo ver o juiz chinês (que cobra a bala do fuzilamento) e árabe (que corta as mãos dos ladrões), atuarem no país. Isso reduziria logo as pilhas de processos”. O que acha, não é uma danada de boa ideia? (09/10/2013)

Os donos das organizações Globo divulgaram um ‘pedido de desculpas’ pelo Editorial de apoio ao golpe militar em 1964. Gesto inútil. Pra quê? Não é assim que funciona: um fato histórico não se desfaz como o café solúvel na água. Aposto que o ‘jornalista’ (como o negociante exigia ser chamado) Roberto Marinho – que era responsável pelos editoriais do jornal O Globo – de modo algum não assinaria esse 'mea culpa', porque tinha convicção do que fazia. Eis a palavra chave: convicção. Se você tem convicção, se você tem fé, jamais terá que pedir perdão pelo que perpetrou. Ademais, as organizações Globo vêm repetindo todos os dias, todas as horas, aquele mesmíssimo Editorial, que permeia a diretriz empresarial do grupo, seja com outras formas, outras ações, outras palavras. De outro modo, terá que pedir perdão aos jornais, rádios e tevês aos quais sabotou, dumpeou, imitou, perseguiu, praticando preços baixos, supertiragens, etc. etc. – até que os sabotados fechassem – na tentativa de ter O Globo como único jornal do Rio. A tarde, A Notícia, Última Hora, Tribuna da Imprensa, O Dia, Correio da Manhã, Jornal do Brasil, TV Rio, TV e Rádio Tupi, TV e Rádio Continental, Rádio Nacional, Rádio JB – para citar apenas alguns – direta ou indiretamente, sofreram com a forma desleal, de terra arrasada, com que as organizações Globo atuaram. Aê, vai pedir desculpas? (10/10/2013)

Desconfio das frases feitas... Devora-me ou te decifro. Uma andorinha só não faz verão. Essas frases sempre nos deixam intrigados. Ora, tudo não passa de clichê, pseudofilosofia. A Esfinge nada mais é que um templo de pedra que, se não fosse conservado, teria virado pó faz tempo. Por causa de Sófocles, a Esfinge se transformou no misterioso labirinto que enlouquece a mente humana. Tudo bobagem – esqueçam as frases feitas, não deixe que um pensamento alheio venha infernizar a sua vida. Agora mesmo daqui da janela vejo o sol nascer, após dias com céu enfarruscado, de noites frias, vento polar. Volteando bem na minha frente vai e vem uma andorinha solitária, singela, asas típicas, as penas da cauda em forma de tesoura. Não fosse minha presença, seria sim uma andorinha só fazendo verão. As frases feitas, mesmo de aparência positiva, são um estorvo. Viver é bom, é bonito, não é um enigma, não tem mistério. (12/10/2013)

Thais Beltrame (pintora, ilustradora, artista plástica) -, tenho o livro “Leitura de escritor”, antologia organizada por Ana Maria Machado (Ed. Comboio de Corda, SP, 2009), que você ilustrou de modo magnífico. Outro um dia meu neto Calian, de 7 anos, pegou o livro e se amarrou nas ilustrações. Mas logo veio a pergunta: - Vovô, por que os desenhos só têm uma parte vermelha? Tentei explicar que foi escolha da ‘desenhista’ fazer assim... Depois percebi que ele assimilou a explicação de maneira peculiar. Bom, só quero lhe avisar que ele pegou todos os lápis de cor que tem e está ‘corrigindo’ todas as partes que você deixou 'em branco'! Abrs, felicidades em sua bela carreira! Salomão Rovedo. (15/10/2013)

sábado, 12 de outubro de 2013

Estória e História do Rio Amazonas

*Henrique Américo Santa Rosa (do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro) - “História do Rio Amazonas” - Oficinas Gráficas Guajarina - Pará – 1926
*Ernesto Cruz - “Na terra das igaçabas” - Etimologia indígena - Contos, mitos e folclore da Amazônia - Oficinas Gráficas do Instituto Dom Macedo Costa - Pará – 1935

Primo Quincas, missão cumprida! Estou aqui com o livro "História do Rio Amazonas" do Dr. Henrique Santa Rosa, que você pediu para pegar, em troca do Ernesto Cruz, “Na terra das igaçabas”. Sabe o que aconteceu? Botei o livro do Ernesto Cruz dentro de um saco plástico, esperando a primeira oportunidade para ir à Rua Frei Caneca trocá-lo. Quando estou nessa arrumação o livro se separou em várias partes, então – surpresa! – uma daquelas partes lá estava, vivinho da silva, o outro que querias e tinha dado como perdido: “História do Rio Amazonas”. O dito cujo é tão fininho que mais parecia uma das partes soltas do outro livro e por isso não o percebeste.

Aproveitei meus dotes de consertador de livros velhos e dei uma arrumada no livro de Ernesto Cruz, ficou bom; mas o do Santa Rosa está tão castigadinho pelo tempo que precisa de cuidados especiais. Essa providência deixo contigo. E pra nãodizer que não falei de flores, aproveitei que estão comigo e dei uma lida rápida em ambos: o livro do Ernesto Cruz, como bem tu já havias notado, trata-se de obra de diletante, sem compromisso científico, escritor e “folclorista” amador (acho que posso dizer: igual a este que te escreve).

Ernesto Cruz chamou seu trabalho de “Etimologia indígena”. Ele pega temas folclóricos já conhecidos e dentro de uma perspectiva pessoal, tenta reinterpretá-los. É daqueles escritores que lê os trabalhos alheios, com intenção e prazer em demolir, divergir, contestar. Por exemplo, veja estes capítulos: “Caramuru ou Tatamuru?”; “Bororós ou Borôros?” Coisas desimportantes, enfim. Além disso, juntou no mesmo volume um vocabulário indígena e algumas lendas do folclore amazônico. Mas lá pelas tantas – sempre se deixando levar por um tipo de paixão escrava do folclore – está narrando a lenda indígena “No tempo dos bichos”, quando aparece entre os personagens ...um URSO! Bom, pensei, um urso amazônico nem em lenda – aí foi mesmo que desisti de aprofundar a leitura!

Já o livro do Santa Rosa é outra coisa. Trata-se da Tese com que o mesmo foi admitido no IHGB. É obra para ler devagar e reler, reler. Bem cuidada, com a erudição necessária. Está dividida em duas partes, ambas com certa base científica, fruto de estudos e pesquisas: a primeira perpassa pela pré-história e estuda fisicamente o meio-ambiente que envolve o rio Amazonas; a segunda começa no “descobrimento”, fins do século XV, isto é, deu um salto direto para Pinzon, ignorando a vertente dos viajantes nórdicos, vikings.

O problema é: será que naquele tempo (1922) já era conhecida essa perspectiva? Ademais, se tudo no Universo é representado por bilhões de anos e outras cifras fabulosas, por que quando se trata da história do homem tudo se reduz a um traque de tempo? E com estas interrogações me despeço e desejo para ti boa leitura, com efeito em crônicas vindouras... No nosso primeiro encontro te devolvo os livros. Teu primo Saloca. Como síntese do livro de Santa Rosa, reproduzo o Parecer dado pela banca julgadora do IHGB, verbis

A tese apresentada pelo Dr. Henrique Américo santa rosa – História do Rio Amazonas – relata o assunto com ampla informação, estudando em primeiro lugar a Geografia física da região banhada “pelo rio por excelência, glória do nosso Planeta” – como o qualificou o eminente Elisée Réclus – para passar em seguida à história do descobrimento por Vicente Yañez Pinzon nos dias iniciais do século XVI, às empresas trágicas ou malogradas de Pizarro e Orellana, de Ursua e de Aguirre no correr do mesmo século, às aventuras dos que buscavam o El Dorado e dos que procuravam colonizar as terras, até a expedição famosa de Pedro Teixeira na primeira metade do século seguinte, às missões de catequese, às viagens de caráter comercial – e às explorações cientificas, que vêm de Humboldt, Spix e Martius, aos naturalistas e viajantes do Museu Goeldi. Quanto se pode dizer, em síntese, da exposição do Dr. Santa Rosa, é que ela desenvolve com método e erudição a história do rio Amazonas, tão interessante quanto até agora fragmentária. Sua aprovação se impõe e aplausos são devidos ao ilustrado autor. S. S. em 11 de setembro de 1922 - Gastão Ruch, presidente, Rodolfo Garcia, relator, I. Feijó Bittencourt, J. Mattoso Maia Forte

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O queijo de São Bento e a Serra da Mantiqueira

Pego carona na crônica de Joaquim Itapary no O Estado do Maranhão (São Luis), na qual o jornalista critica o tratamento rigoroso dado pela fiscalização a um queijo tradicional da cidade de São Bento, para fazer registro que essa mesma maldade institucional é feita aos queijos artesanais das regiões serranas de Minas Gerais.
Outro dia mesmo, como de costume faço aos domingos, visito a feira livre que temos aqui no Cachambi, assim como vou aos mercados populares, lugares que os apreciadores de manjares não podem perder de vista em qualquer canto do mundo.
Na feira, logo ao lado do meu prédio, tem uma barraca de lona em que uma senhora, com ares de nordestina, prepara na hora a tapioca, o tradicional beiju. São várias as maneiras que o beiju é feito aqui: uma, dobrado ao meio, com recheio de coco e mais uma variedade imensa, como queijo, doces, leite condensado, etc.; tem outra, de modo mais simples, apenas pondo manteiga, que se derrete sobre a superfície quente. Agora é só encher a xícara de café com leite bem quente e saborear.
Se quiser tem também sobre a banca o bolo de macaxeira, sacos de bolacha (salgada ou doce), bolo de massa puba, canjica de milho verde (curau) e pilhas de queijo minas meia-cura. Não aqueles frescos, que se desmancham em soro e devem ser comidos de logo, mas um mais sólido, de consistência acentuada e sabor incomparável.
Esse queijo tem vários nomes: meia-cura é o nome genérico, mas chamam também de queijo Canastra, queijo do Serro (mais curado e recoberto de fina casca amanteigada), o queijo Curado. O da Serra da Canastra se caracteriza pelos furinhos com que o seu interior é atopetado, como se fosse aerado, semelhante ao queijo suíço, só que em miniatura.
Pois bem, o que esses queijos têm em parecença com o queijo de São Bento, da crônica de Joaquim Itapary? Acontece que estes queijos, feitos no interior de Minas Gerais, tanto na região da Serra da Canastra quanto da Serra da Mantiqueira, só conseguem chegar à mesa do carioca contrabandeados. Sim senhor, acreditem ou não, assim como o queijo de São Bento está proibido de ser vendido em São Luis, os queijos de Minas mais tradicionais – Serro, Canastra, Meia-Cura – só chegam do Rio de Janeiro ilegalmente.
O pequeno produtor que for pego será autuado, perderá toda a carga e levará de volta o prejuízo do trabalho que levou tempo para executar. Se duvidar irá preso também. E por quê? Porque algum Ministério, associado naturalmente a outros órgãos e Agências paquidermes que assolam o país, aquadrilhados com órgãos estaduais e municipais decidiu, por conta própria, cuidar da nossa saúde (sem nos consultar, como sempre). É o porrete, o big stick, a imposição de cima para baixo.
Com esse propósito, os burocratas que não têm o que fazer, bem confortáveis com the ass on chair (para usar uma expressão americana), em assentos acolchoados e salas com ar condicionado, resolveram mostrar serviço baixando atos e mais atos, exigindo dos fabricantes artesanais o cumprimento de uma série de “exigências e normas” – algumas sob o ‘aval’ da ONU – para que seus produtos feitos em casa possam ser oferecidos fora do estado de origem. Pura burocracia que impede com que os pequenos produtores possam prover sua subsistência de modo legal e dá margem para que fiscais corruptos possam achacar os fabricantes de produtos caseiros.
Estamos consumindo contrabando da China ou do Paraguai? Não!  Aqui é Brasil, Minas é Brasil, São Bento é Brasil, aqui é o nosso país! Mas para saborear o queijo de São Bento e os queijos Serranos de Minas Gerais (também o queijo manteiga, o queijo de coalho, etc.) temos que nos transformar em cúmplices do crime de contrabando.
É tempo de se tratar o assunto com mais seriedade do que fazem os funcionários posudos de Brasília, bem assalariados e incompetentes. Esses e outros produtos caseiros – doces, compotas, embutidos e queijos – são fabricados há séculos, com fórmulas e receitas trazidas de vários lugares do mundo pelos emigrantes, nossos antepassados, avós e bisavós.
Será que um dia a tapioqueira, a que me referi lá no início, será obrigada a usar uniforme e luvas assépticas, como médicos e tais, para poder fazer o beiju a ser consumido no mesmo instante? Não e não. É preciso lembrar que todos esse produtos são parte da nossa cultura e devem também ter tratamento especial – o mesmo dado ao samba, ao tambor de crioula, aos acepipes baianos (o acarajé em especial), às comidas, açaí, tacacá e frutos do amazonas, etc. etc.
Se o cronista Joaquim Itapary reclama que está na hora de trazer de volta ao Natal de São Luís – que já se aproxima – a tradição de ter o queijo de São Bento, o resto do país também reclama o direito de ter em sua mesa os produtos fabricados desde nossas bisavós. É um bem cultural que não deve se acabar; deve vir livremente, sem ser taxado de contrabando, sem que o trabalho secular de seus produtores seja criminalizado como se fosse o furto de reles punguistas.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013