quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Hitler no Maranhão, que bobagem!


Dentro do trem rumo à Central do Brasil ouvi meu vizinho de assento fazer esse comentário. Ele me viu lendo o livro de Joaquim Itapary, que versa sobre esse tema. Como esse meu vizinho de trem é passageiro que também aproveita o tempo perdido nos transportes coletivos lendo romances, encetamos conversa. E essa foi a primeira frase que fez ao ler o título do volume que eu estava lendo.

Depois de me explicar que é expert em II Guerra Mundial, assuntou que nunca ouvira nenhum historiador ou ficcionista versar sobre essa possibilidade. Por minha parte, argumentei que o assunto tratava-se de uma teoria levantada pelo cronista e jornalista maranhense Joaquim Itapary, dando conta de que Adolf Hitler, logo após ter seu bunker explodido por inimigos do seu regime, por medida de segurança, fugiu para o Maranhão, se resguardando de outras ameaças que poderiam atentar contra a sua vida.

O fato é que Hitler tinha sim vários planos de emergência que visavam protegê-lo (e a seus familiares) de ataques de inimigos que, antecipando a derrota iminente, surgiam de todo lado. Russos, franceses, ingleses, norte-americanos, todos faziam esforços para chegar primeiro, dominar e capturar Hitler, que se tornara a presa mais preciosa da guerra – pois eram favas contadas que a batalha estava chegando ao fim.

Em seguida ao atentado do bunker os assessores mais próximos de Hitler aconselharam-no passar uns dias fora de circulação, posto que temessem que essa tentativa frustrada de assassinar o Führer tivesse efeito dominó e contaminasse outros grupos insatisfeitos, detonando uma série de emboscadas.

Com um submarino completamente equipado e moderno, Hitler seria retirado da Alemanha por alguns dias até que seus desafetos fossem julgados e executados exemplarmente, acalmando a revolta interna que minava as forças armadas alemãs. O almirante Von Puttkamer tomou as rédeas da operação e foi assim que o UB-99 que transportava Hitler e sua comitiva foi parar a 2°07’57 Lat. S e 44°36’04 Long. W, ou seja, na costa maranhense, cidade de Guimarães.

Um bom pesquisador não se perde em reticências, antes, parte à procura de veracidade e foi assim que o cronista Joaquim Itapary sacrificou um Carnaval inteiro e viajou para Guimarães em busca de indícios que dessem veracidade à suposta presença de Hitler no Brasil.

Junto com o cronista foi o ficcionista, que encontrou não só fragmentos do fato histórico, mas outra fábula cheia de excentricidades, e mais outra, em que o elemento amor configura o entrecho, e outras mais quando o espírito demoníaco tenta destruir uma vida santa, e uma mais: a exortação excomungatória aplicada por via de um sermão do reencarnado padre Antonio Vieira – mas toda a explosão narrativa culmina na santa paz de Deus, no embalo das redes, na placidez da baía de Urubuóca.

No  decorrer da trama, porém, surge a imponente figura de Afonsina – ou melhor, Afonsina  Goulart Coutinho – professora típica interiorana, mas de inteligência, personalidade forte, beleza acurada – que despista o fato histórico, passando a assumir a liderança na trama. É uma ocorrência que se dá sem que o autor tome a iniciativa, a partir do momento em que os personagens assumem as rédeas do roteiro do romance.

Afonsina, que seria apenas o estopim da narrativa, com o tempo toma assento na sala e, entre cafés, manuês e bolo de milho – intercalando outros acepipes da culinária maranhense – passa a ser a própria relatora da presença de Hitler no Maranhão. A partir daí cresce em importância a própria vida de Afonsina, seu relato de sobrevivência, objeto direto e personagem de fatos extraordinários, mulher forte que não se perde da trilha do saber nem se esquece de viver com audácia suficiente para se apropriar do homem que ama com garra, coragem e liberdade.

Quem quiser conhecer mais dessa história, quer saber do que se trata, quer tomar ciência das novidades, quer enriquecer e atualizar o tema histórico (posto que o mistério persiste), é só escrever ao cronista maranhense e pedir o livro. Todos vocês haverão de conhecer e se apaixonar por Afonsina e tentar descobrir se é mais fato do que mentira: – Hitler esteve de verdade no Maranhão? Pergunte ao Joaquim Itapary – Av. vale do Rio Pimenta, Qd. 1 nº 2, Aptº 1100 – Pq. Atlântico – CEP 65065-160 – São Luis (MA) ou escreva para jitapary@uol.com.br. 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Cinco anos de uma postagem: dá pra comemorar?

Clamor Insano: contra as indenizações

Não sei o que significa o clamor nacional que se levantou contra Ziraldo e Jaguar sobre a inclusão e aceitação deles no recebimento das múltiplas e milionárias indenizações para reparar ‘danos’ sofridos no período do regime militar.
Para condenar tais indenizações seria preciso, primeiro, que elas não existissem, mas os Amigos Dos Amigos (ADA) – facção muito conhecida nos Três Poderes (com ramificação em todas as casinhas legislativas) – tiveram a luminosa idéia de produzir a inseminação, o parto e a criação dessa fera. Pois agora está de fato escrito na forma da Lei  dura lex, sed lex.

Como coisas desses tipos são figuras alienígenas, isto é, sabe-se que existem, mas ninguém conhece-lhes a forma, a canoa vaga de acordo com a interpretação de cada um, atrelada ao interesse de outro um. Algo assim como aquela anistia ‘ampla, geral, irrestrita’ – que todos abonamos por julgá-la democrática em tese – mas que agora abominamos, porque a irrestrição serve igual a torturadores e assassinos.

Fica evidente que se houvesse o julgamento que a História exige, muitos desses maus elementos não estariam agora acobertados sob o manto do mandato parlamentar, que não só os protege da espada da Lei, como também decreta o perdão e escancara a porta do Paraíso, onde todos passarão incólumes.
Não sem tempo – ou em todos os tempos – a História deu e dá exemplos: desde Nuremberg aos comandados de Hitler, até o Tribunal Internacional, aos aloprados daquele general sérvio porralouca Radovan Karadzic – como também dos casos regionais exemplares ocorridos no Chile e na Argentina. Se algumas omissões ocorreram, tais como a falta de condenação aos comandados de Franco, Salazar e Il Ducce, mais justiça que injustiça se fez.

Este caso ocorrido aqui em nossa taba consiste em que TODOS sofreram de algum modo com a Ditadura Militar. Alguns de nós sofremos mais ou menos, outros quase nada, além dos que foram prejudicados. Se o houvesse um ‘medidor de sofrimento’ capaz de dimensionar o nível de cada qual, a escala maior caberia ao torturado. Mas quem seria capaz de pensar que também o torturador teve seu nível de sofrimento, se fizermos uma triagem dos que torturaram com prazer, daqueles que o fizeram para ‘cumprir ordens’?

Jaguar e Ziraldo (os mais citados), são lugar comum, a ponta do iceberg. Outras decisões alopradas desse Conselho Papai Noel, que distribui milhões a torto e a direito, foram tomadas e executadas em absoluto silêncio. Sim, uma e outra aparecem no noticiário, mas logo se afundam no silêncio do pântano que habitamos: Artur da Távola, Carlos Heitor Cony e mais algumas léguas de etcéteras.

Tenho certeza que todos os indenizados aceitam os milhões oferecidos pela viúva apenas por uma questão de justiça, já que, pelo menos os aqui citados nomine (inclusive os fundadores do Pasquim), vieram de berço de ouro, são ricos de nascença e certamente vão doar grande parte do que receberam aos mais necessitados.

Por outro lado, precisamos saber também quanto ganharam – ou aqueles que NÃO ganharam, ou aqueles que NÃO aceitaram – muitos dos brasileiros notórios, para que, pelo menos, eles sejam julgados como heróis pela sociedade que os admira ou danados ao fogo dos infernos pela corja de pobres que também sofreu sob os tacões da Redentora e recebeu só pontapé na bunda e porrada no cocoruto como indenização...

Só para encerrar, convém lembrar que também os órgãos e entidades de direito público, as defensorias, as procuradorias, os tribunais superiores, também eles têm obrigação de inquirir qual a razão desse desperdício do dinheiro que muita falta faz para debelar a dengue, a febre amarela, a tuberculose, para escolas e hospitais. Então, por que o silêncio?